Confissões de uma ex-ditadora natalina: minha árvore agora tem tema
Por muito tempo eu torci o nariz pras novas tendências de decoração de Natal. Árvores com tema? Como assim? Cor-de-rosa no Natal?! Jamais. Mas, como dizem, não se deve cuspir pra cima. E, bem, cá estou eu preparando mais uma árvore temática. Acontece que eu sempre amei o Natal, é parte de quem eu sou. Meus pais começaram a decorar tudo quando eu comecei a falar e pedir por mais e mais Natal. E o artesanato também faz parte de mim, porém, por bastante tempo (mais do que eu gostaria), essa foi uma paixão um tanto reprimida. Quando eu finalmente me permiti mergulhar de cabeça nela, me encontrei profissionalmente. E eu, que antes rejeitava "modismos" no meu Natal, comecei a me pegar imaginando as tais poinsétias na minha árvore. Quem sabe fazer as minhas?! Não, não, mesmo. Nada tomaria o lugar das minhas clássicas bolinhas e caixinhas. Só que aí eu percebi que tinha criado amarras pra mim mesma. Eu estava me podando, havia criado uma ditadura natalina e estava ficando triste porque, na verdade, eu queria testar as tais flores, os bonecos na árvore. Ao mesmo tempo, eu não queria perder as decorações que me faziam lembrar dos meus primeiros Natais, da simplicidade daquelas decorações. Me lembro de ficar minutos a fio olhando como as luzes dos pisca-piscas refletiam de maneiras diferentes em cada bolinha da árvore: vermelha, dourada, verde. Eu gostava quando o pendente de rena balançava na ponta do galho e amava colocar a minha cartinha pro Noel por entre eles. Então percebi que amava demais aquelas lembranças e, com medo de perder esses momentos, criei uma cartilha do que eu não aceitava na minha árvore. Na verdade, eu só não queria deixar de ver todos aqueles detalhes. Mas foi impossível não me encantar por novas decorações, principalmente quando comecei a trabalhar com isso tudo. Então entendi: não precisava escolher, podia ter os dois! Um problema que comecei a notar, quando adquiri esse olhar mais "profissional", era a falta de proporção dos meus enfeites na minha Arvorinda (sim, ela tem um nome). Então comprei uma árvore pequena. Essa é a minha árvore afetiva, e nela eu coloco todas as decorações que sempre usei na infância e os enfeites que trazem grandes significados afetivos: o primeiro Natal do meu filho, um enfeite que ganhei no primeiro ano de casamento, algo feito por mim. Aqui eu não me preocupo com simetria nem com cartela de cores. Nela eu vejo a beleza simples e despretensiosa de uma árvore decorada sem cobranças, apenas pensando: (nossa, vai ficar lindo quando a luz refletir nessa bolinha). E ela fica linda. A minha criança interior vibra quando a vê acesa, ao mesmo tempo que mostro pro meu pequeno natalino como era o Natal antes, lindo, e como ele também é lindo hoje. E assim voltamos ao início: cá estou eu preparando mais uma decoração temática pra Arvorinda. O tema deste ano é gingerbread, e as possibilidades são infinitas. Eu vou gravar o processo de criação do meu Natal artesanal, e você também vai poder se inspirar comigo. Bem, muitas coisas eu ainda não decidi, mas uma eu vou adiantar: no topo da Arvorinda haverá uma estrela, porque essa é uma tradição da qual eu não consegui desapegar. A minha ponteira tem que ser uma estrela.
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